Brilho de uma paixão
John Keats, hoje, é considerado como um dos maiores poetas do romantismo inglês, no século XIX. Entretando, enquanto vivo, assim como muitos outros artistas, não tinha seu trabalho reconhecido, fato este ocorrido apenas postumamente. Durante sua breve vida – assim como outros poetas românticos, inclusive brasileiros, Keats teve vida curta, morrendo tragicamente -, teve uma intensa paixão por Funny Brawne, uma jovem, sua vizinha, interessada em moda. Encantado, John se aproximara da moça e se oferecera para ensiná-la poesia. Os dois terminaram se apaixonando, e no momento em que a mãe de Fanny e o melhor amigo de John descobrem o caso, já é tarde demais para tentarem desaconselhá-los. O casal mergulha num romance obsessivo, no qual a paixão é tão forte quanto as turbulências, resultantes principalmente da incapacidade financeira de Keats para sustentar uma casa.
Brilho de uma paixão (péssimo título nacional, sendo o original, Bright Star, baseado em um dos mais famosos poemas de John) é o mais novo filme da neozelandesa Jane Campion, que ganhou projeção mundial no inicio da década de 90, quando seu filme O Piano venceu a Palma de Ouro, em Cannes, e foi um dos destaques do Oscar. Seu novo filme tem o roteiro assinado por ela mesma, tendo sido baseado nas poesias de Keats e no que se conta a respeito de seu envolvimento amoroso com a jovem Funny.
O filme possui um cuidado primoroso, artesanal. Campion cria um universo de extrema beleza, delicadeza e sensibilidade para contar uma simples história de um puro e intenso amor, em época muito diferente da nossa, além de tentar traduzir para as telas o poder da poesia. Sua misè-en-scene concede ao espectador momentos sublimes, como as seqüências em que Keats cria e recita poesias a Funny, as cenas em que o amor dos dois é comparado à efêmera, mas bela, vida das borboletas e as trocas de cartas entre os amantes. Campion filma de forma belíssima, delicada, muito bem elaborada. Também acerta na direção de atores, obtendo interessantes interpretações, muito condizentes à vida da época, como pode se perceber, por exemplo, nas cenas em que há pessoas à mesa e, por mais discretos e educados que todos sejam, sempre há insinuações discretas, mas perceptíveis. A fotografia, a direção de arte e os figurinos também são um primor à parte.
Mas, apesar de ser tão impecável em diversos departamentos, Brilho de uma paixão possui um roteiro muito pouco envolvente, um tanto plano, provocando o sentimento de falta de conflito, de falta de envolvimento com a história, o que pode dar a impressão de ser um filme de trama insuficiente.
Brilho de uma paixão
(Bright Star, 2009)
• Direção: Jane Campion
• Roteiro: Jane Campion
• Gênero: Drama/Romance
• Origem: Austrália/França/Reino Unido
• Duração: 119 minutos
• Tipo: Longa-metragem
Nota: 7,5


