Critica do filme – A Origem
Christopher Nolan chamou todas as atenções possíveis em 2008 ao lançar Batman – O Cavaleiro das Trevas, filme que se tornou um estrondoso sucesso de público e crítica. Seu nome definitivamente passou a figurar entre os mais bem cotados cineastas da atual Hollywood. Mas o fato é que Nolan já havia mostrado grande talento em suas produções anteriores, como Amnésia, Insônia, Batman Begins e O Grande Truque, obras de alta qualidade. O Cavaleiro das Trevas fora apenas o ápice de sua jovem carreira. Agora, chega aos cinemas seu mais novo trabalho, Inception - com um título nacional ruim mas compreensível -, com uma trama super intrincada e, mais uma vez, uma ótima receptividade.
Leonardo DiCaprio vive Don Cobb, um especialista em invadir a mente das pessoas e que, com isso, rouba segredos do subconsciente, especialmente durante o sono, quando a mente está mais vulnerável. As habilidades únicas de Cobb fazem com que ele seja cobiçado pelo mundo da espionagem e acaba se tornando um fugitivo. Como chance para se redimir, Cobb terá que, ao invés de roubar os pensamentos, implantá-los. Seria um crime perfeito. Mas nenhum planejamento pode preparar a equipe para enfrentar o perigoso inimigo que parece adivinhar seus movimentos.
Nenhuma sinopse poderia resumir bem do que se trata o filme. O roteiro de Nolan possui diversas complexidades, seja da trama e suas “múltiplas camadas”, seja dos personagens. O plot intriga o espectador, obriga-o a ficar sempre atento, a raciocinar. Tudo é tão bem construído que funciona desde como uma grande aventura a uma jornada de resolução dos dramas do passado do protagonista e de forma bem palatável a quem acompanha. Entretanto, dentro de tanto primor, salta aos olhos pontos falhos do roteiro como a fraca ligação dos eventos que ligam o começo do filme ao início do conflito e clichês de dramas pessoais familiares.
Quanto à direção, Nolan exibe aquilo que já vimos em seus trabalhos anteriores: uma eficácia em conduzir o filme, garantindo tensão, qualidade técnica, suspense e envolvimento. Mas, por outro lado, fica um pouco evidente a falta de elaboração dos planos e da direção de atores secundários.
No todo, A Origem representa aquilo que gostaríamos que fosse mais produzido: cinema comercial de entretenimento de alta qualidade e que não julga subestima seu público. E, como mostram as cifras, tal receita funciona muito bem nas bilheterias.
>> A Origem
De Christopher Nolan. Com Leonardo DiCaprio, Ken Watanabe, Marion Cottillard, Ellen Page. 148minutos. DRAMA/AÇÃO/FICÇÃO CIENTÍFICA
NOTA: 8,5


