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Crítica do filme – Amor Sem Escalas

São Paulo, 31 de janeiro de 2010

amor sem escalaFilho de Ivan Reitman – o diretor de Os Caça Fantasmas –, Jason Reitman vêm chamando a atenção nos últimos anos e agora lança seu terceiro longa-metragem. Seus dois longas anteriores, o criativo e de humor ácido Obrigado por Fumar e o premiado Juno têm muito a ver com seu terceiro projeto, Amor Sem Escalas. Todos três são comédias dramáticas independentes (ainda que o orçamento do terceiro seja bem maior, é impossível negar o espírito “indie” do filme), cuja trama possui elementos inesperados e incomuns, uma linguagem despojada e boas atuações.

Amor Sem Escalas retrata Ryan Bingham (George Clooney), um eficiente funcionário de uma empresa que é contratada por patrões para demitir seus funcionários. Assim, Ryan vive viajando de avião pelos Estados Unidos, indo a várias cidades, até as empresas que o contrataram para demitir algumas pessoas. É um trabalho diferente e desgastante, mas Ryan o adora.

O fator que mais o faz gostar de seu emprego é poder passar quase todos os dias viajando de avião. Ele se orgulha de ser um perito em viagens, ter cartões especiais das companhias aéreas, tem o objetivo de atingir um grande número de milhas viajadas e até dá palestras sobre o que (não) levar na bagagem.

Em meio às viagens ele conhece uma mulher especial, com quem se envolve, mas a quem não pretende levar muito a sério. Mas seu adorado emprego corre perigo, pois uma jovem inteligente, Natalie, foi contratada por sua empresa para criar um meio de demissões via videoconferência, para evitar que os funcionários tenham que ficar viajando de um lado para o outro. Ryan pretende evitar isso e leva a jovem Natalie para suas viagens e demissões, o que mudará a forma como ambos vêem a vida.

Amor Sem Escalas tem muitos trunfos e, possivelmente, o maior deles é o roteiro. Baseado em livro de Walter Kim e escrito pelo diretor e Sheldon Turner, o roteiro do filme nos apresenta personagens complexas e interessantes e as desenvolve ao longo do filme de forma brilhante, mostrando suas fraquezas e forças, confrontando as idéias diferentes que elas têm e colocando-as em situações limites, que testam seus valores e provocam mudanças nestes.

Ryan é um sujeito que odeia ficar em casa (seu apartamento possui pouquíssimas coisas e é totalmente impessoal), não mantém contato com a família, odeia compromissos e não pretende assumir nenhum. Já Natalie, é totalmente seu oposto, uma jovem apegada a valores tradicionais, defensora do amor, dos compromissos, da seriedade, até que seu mundo vira de cabeça para baixo. A viagem dos dois juntos coloca-os em confronto e provoca mudanças naturais em cada um deles e é interessante perceber como aqui não é o jovem que é desprendido dos valores conservadores e têm idéias “modernas” e sim a personagem mais velha.

Os diálogos do filme são muito bons também, com muitas falas memoráveis, constrói bem o humor, são dotados de muita ironia e é triste que a tradução das legendas brasileiras não dê conta de manter o brilhantismo de muitas falas.

A trama do filme ainda é essencialmente atual, situada no drama vivido pela economia americana com a crise do final de 2008, que levou a milhões de demissões, falências e diminuição do poder de compra.

No campo das interpretações, o trio principal, vêm sendo muito elogiado e indicado a todos os prêmios possíveis. George Clooney, por quem Hollywood é apaixonada e costuma superestima-lo com freqüência, desta vez surpreende com uma grande interpretação, muito convincente, dotada de um charme, uma ironia e uma sensibilidade extremamente cabíveis ao personagem. Mas é Vera Fammiga a mais brilhante do filme, roubando a cena toda vez que aparece, compondo uma mulher madura, racional, moderna, mas também divertida, apaixonada e envolvente. Já Anna Kendrick, da série Crepúsculo, embora venha sendo muito elogiada, não passa de uma caricatura ambulante que agrada apenas por produzir humor.

A direção de Reitman é extremamente ágil, correta e eficiente, dirige bem o elenco, ajudando-o a atingir o bom nível, faz uso de uma estética e uma linguagem mais jovem e contemporânea, consegue obter o humor de forma satisfatória e dá um ótimo ritmo e clima ao filme. Outros destaques de Amor Sem Escalas são a montagem e a trilha sonora, composta por….

O filme vem sendo lembrado em todas as premiações atuais, indicado aos prêmios do Sindicato de Produtores, dos Sind. Dos Diretores e dos de roteiristas e atores, além de ter sido nomeado a 6 Globos de Ouro, vencendo o de Roteiro, e ao BAFTA. É um dos nomes certos para o Oscar.

Amor Sem Escalas

Up in the air. EUA, 2009. De Jason Reitman. Com George Clooney, Vera Farmiga, Anna Kendrick, Jason Bateman. Comédia Dramática

Nota : 8

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