Crítica do Filme – Bastardos Inglórios
O americano Quentin Tarantino, que se tornou famoso no início dos anos 1990 com Cães de Aluguel e, em seguida, por ganhar a Palma de Ouro do Festival de Cannes de 1994, com Pulp Fiction, agora envereda-se pelo “gênero” do filme de guerra.
Nos primeiros anos da ocupação alemã na França, Shosanna Dreyfus testemunha a execução da sua família pelas mãos do coronel nazista Hans Landa. Shosanna consegue escapar e foge para Paris, onde muda de nome e assume a identidade de uma dona de um pequeno cinema. Em outro lugar da Europa, o tenente Aldo Raine orgazina um grupo de soldados judeus como os “Os Bastardos”, o grupo de Raine junta-se à atriz alemã e agente secreta Bridget americanos para colocar em prática uma vingança. Posteriormente conhecido pelos alemães Von Hammersmark em uma missão para eliminar os líderes do Terceiro Reich. E o destino junta todos no mesmo cinema, onde Shosanna tramou um plano de vingança próprio.
Tarantino faz amplo uso de sua estética, seu estilo e de suas principais características em Bastardos Inglórios, dessa vez soando ainda mais ousado por ser um filme de época e que trata de um dos temas mais caros à sociedade ocidental: a 2ª guerra mundial. O avanço nazista, a perseguição aos judeus e até o próprio Hitler são abordados com a linguagem jovem, pop e inventiva de Tarantino, resultando em um filme impactante, que prende e diverte o espectador.
O excelente roteiro, também assinado pelo cineasta, nos apresenta a personagens muito singulares e marcantes, cada qual a chamando a atenção por suas características tão peculiares e por existir num meio em que você geralmente não as imaginaria. Assim, é impossível não achar interessante o tenente Raine (Pitt) com seu sotaque fortemente carregado e sua postura de se vingar dos nazistas matando-os e escalpando-os ou o coronel Landa, um nazista construído de forma tão minimalista e impactante.
O roteiro, além de construir ótimas personagens, as usa em situações criativas e divertidas, que fazem avançar a ação e desenvolver cada papel. A progressão dramática e o desfecho são brilhantes, bem como as liberdades criativas, a narração em off, a mistura entre narrativa e “narração documental”, dentre outros pontos.
Nas interpretações destaca-se Christopher Waltz, excepcional como Hans Landa, tendo, inclusive, ganhado o prêmio de melhor interpretação masculina, em Cannes, este ano. Sua construção do personagem é tão minimalista quanto este, sabe como intensificar a tensão e ainda consegue ser divertido em diversos momentos. Brad Pitt e Mélaine Laurent também se saem bem.
O filme, bem como toda a filmografia de Tarantino, ainda é arte pela arte, um grande exercício de um cinéfilo e uma homenagem à sétima arte, demonstrando toda a paixão e conhecimento de seu realizador.
Bastardos Inglórios
Cotação: 4 Estrelas
EUA, 2009. De Quentin Tarantino. Com Brad Pitt, Christopher Waltz, Mélaine Laurent.
Leia Tambem:
- Crítica do filme – Nine
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Escrito por: Elton Almeida em 29/10/2009
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