Editorial Cultura de Bolso – Você tem fome do que?

O homem não vive apenas de água e pasto. Mesmo o caboclo que vive longe dos grandes centros, ara a terra pensando no fim do dia, quando estará com o seu tererê e alguns amigos lavradores, com os olhos cheios d’água e de saudades entoados pelo timbre choroso da viola.

Assim como o caboclo, nem eu, nem o operário e nem o empresário trabalhamos pelo puro acumulo enfim, para qual sentido teria a vida se tudo fosse explicado pelo acumulo de bens que serão um dia consumidos pela terra, quando há muito já tivermos partido? A vida toma sentido pela arte, pela manifestação, pela cultura e é somente a ela que recorremos quando buscamos respostas para a fome interior que não é eliminada pelo pão, mas pela filosofia, pelo diálogo, som, formas e cores. Nos entregaríamos à morte sem pensar quando submetidos às pressõescotidianas que ferem a alma; quando vitimados pelo poder repressivo do assalariador; quando entregues às condições impostas arbitrariamente por aqueles que insistem em fazer do mundo um lugar de dores, caso não houvesse a poesia de poder ver o mundo com outros olhos, de estar em casa e ouvir um velho disco devinil riscado, mas ainda audível e confortante na vitrola que o graveia . No abraço quente do amor que, quando não nos alcança fisicamente, nos é presente na leitura de uma carta, um conto, um livro, um beijo.

Aos sonhadores repletos de sonhos, aos músicos ainda sem disco, aos escritores ainda sem livro, aos poetas que transbordam poesia cotidiana, aos atores que ainda não chegaram ao seu palco. Aqui está a Cultura que cabe no nosso bolso, na nossa bolsa, na nossa tela, no seu mundo. Faça-se da sua casa o redor do mundo e do mundo a sua casa aqui.