Espaço em Cena – Parlapatões
Olá amigos!
O grupo Parlapatões, Patifes e Paspalhões, encerra a série de matérias do Espaço em Cenas sobre os teatros da Praça Roosevelt.
O grupo Parlapatões, Patifes e Paspalhões surgiu em 1991, com uma pesquisa é pautada no humor, na comédia, utilizando técnicas circenses e de teatro de rua. O Espaço localizado na Praça Roosevel, 158, foi inaugurado no dia 11 de setembro de 2006 e tem a cara do grupo, como vão poder conferir na nossa matéria, com suas poltronas coloridas, exposição de figurinos de peças no saguão do bar, guarda-chuvas coloridos no teto e a história toda especial da cortina do teatro, feita de retalhos coloridos, que o Wanderley nos conta na matéria.
O bate papo do nosso apresentador hoje é com o Cazuza. Não, o Cazuza não é membro dos Parlapatões. Na verdade, estamos tentando convencê-lo a ser um “co-apresentador” do Espaço em Cena. Confiram!
O Teatro abriga as produções do próprio grupo e também outros espetáculo, mediante apresentação e aprovação de projetos, além de música, poesia e curta-metragens.
Pra terminar, após o assalto no próprio Espaço dos Paralapatões em que o dramaturgo Mário Bortolotto foi atingido por tiros, a Prefeitura de São Paulo abriu concorrência para as empresas interessadas enviem propostas para revitalização da Praça Roosevelt. A revitalização vem sendo prometida a muito tempo e agora finalmente, parece que irá sair do papel.
A partir de agora o programa Espaço em Cena, saíndo da Praça Roosevelt, continua seu passeio por SP, pra mostrar a vocês sua variedade de espaços. Enviem-nos suas sugestões.
Sobre os Parlapatões
A história dos Parlapatões e a retomada do Teatro de Rua na cidade de São Paulo caminham juntas. Da necessidade de se expressar com maior liberdade, longe das gastas convenções do teatro de então, o grupo se formou. Em 91, começaram apresentando números circenses e passando o chapéu. Aos poucos, os números ganharam uma forma teatral que gerou os dois primeiros espetáculos: Nada de Novo e Bem Debaixo do Nariz.
Neste momento, tinham um caminho aberto para uma pesquisa de linguagem. A junção do Circo ao Teatro não era, e nunca será, em si, uma novidade, mas apontava uma perspectiva diferente, justamente através de elementos típicos da atuação na rua: espetáculos abertos, mutáveis; diálogo direto com a platéia; amplitude da visão sobre os temas etc. Em 92, o espetáculo Parlapatões, Patifes e Paspalhões, que deu nome ao grupo, foi a primeira tentativa de juntar estes elementos dentro da sala de espetáculo.
Foi na montagem seguinte, que a junção destes recursos, baseados em uma dramaturgia própria, se efetivou. O espetáculo era Sardanapalo, encenado em um pequeno galpão, no Teatro Paulista, no qual sete palcos rodeavam o público que sentava ao centro em cadeiras giratórias. Vencedor da Jornada SESC de Teatro de 93, o espetáculo permaneceu dois anos em cartaz projetando nacionalmente o nome do grupo.
Em 95, foram vencedores do Prêmio Estímulo, da Secretaria de Estado da Cultura, e retomaram a rua com o espetáculo Zèrói.
Quatro toneladas de material, três dias de montagem, equipe de trinta pessoas, tornava a montagem do espetáculo em um circo sem lona. Estes números grandes não se adequavam à realidade de produção artística do país, inviabilizando turnês. No entanto, gerou uma estrutura de trabalho que tornou o grupo ainda mais sólido.
U Fabuliô , em 96, também montado para rua, deixou de lado os recursos circenses mais aparentes, como malabarismos e acrobacias, para concentrar-se nas técnicas de palhaço. O espetáculo abre como convidado a Jornada SESC e tem destacada participação no FIAC – Festival Internacional de Artes Cênicas, realizado em São Paulo. U Fabuliô também foi apresentado, a convite do governo Brasileiro, na EXPO 98, em Lisboa.
O Circo, sempre presente, ainda não havia sido tema de nenhum dos espetáculos. Em 97, acontece a estréia nacional de Piolim, no Festival de Curitiba e, em seguida, no dia do centenário do famoso palhaço Piolin, o espetáculo estréia em São Paulo, no SESC POMPÉIA.
A manutenção dos espetáculos em repertório, objetivo do grupo, se efetivou para o público paulistano no evento Vamos Comer o Piolim, que reunia boa parte do repertório em temporada. Indicado ao PRÊMIO SHELL, na categoria especial; e ao PRÊMIO MAMBEMBE, entre grupos e produções que se destacaram em 97; ganhou o GRANDE PRÊMIO DA CRÍTICA 97- APCA (Associação Paulista de Críticos de Arte), pelo mesmo evento.
Em 98, o espetáculo PPP@WllmShkspr.br estreou com grande sucesso de público e crítica no FTC – Festival de Teatro de Curitiba. Em seguida fez bem sucedida temporada no Teatro Faap. PPP@WllmShkspr.br, de Jess Borgeson, Adam Long e Daniel Singer, com tradução de Barbara Heliodora e direção de Emílio Di Biasi, se firmou como grande sucesso do grupo. Foi o vencedor do Prêmio Apetesp na categoria melhor direção, onde havia sido indicado também em outras duas categorias, ator protagonista e espetáculo.
No mesmo ano, lançaram o cd Circo, com vários artistas convidados, contando e cantando a História do Circo no Brasil, produzido pela Atração Fonográfica. O cd, que também vem encartado no livro Circo no Brasil (coleção História Visual), editado pela Funarte e Atração, foi indicado ao PRÊMIO SHARP como melhor gravação voltada para crianças.
Ainda em 98, estrearam o espetáculo Não Escrevi Isto, de Hugo Possolo, no SESC POMPÉIA, vencedor do Prêmio Estímulo “Flávio Rangel” de 97, texto que fecha a trilogia iniciada com Sardanapalo e Zèrói. Não Escrevi Isto recebeu o PRÊMIO SHELL 98, na categoria de Melhor Cenografia.
Também em 98, estrearam De Cá Pra Lá, De Lá Pra Cá, no Centro Cultural São Paulo, espetáculo patrocinado pelo Projeto Coca-Cola de Teatro Jovem. O espetáculo, por sua temporada 99, recebeu duas indicações ao PRÊMIO COCA-COLA DE TEATRO JOVEM, na Categoria Melhor Cenografia e na Categoria Especial, pela pesquisa e obra do grupo.
No início de 99, fizeram temporada de grande sucesso no Rio de Janeiro, na Casa de Cultura Laura Alvim com PPP@WllmShkspr.br; De Cá Pra Lá, De Lá Pra Cá e Bem De baixo do Seu Nariz. Neste mesmo ano, viajaram em turnê por todo o Brasil levando PPP@WllmShkspr.br e outros espetáculos de seu repertório a outros estados.
A partir de Outubro de 99, passam a programar a Sala Repertório do Novo TBC – Teatro Brasileiro de Comédia, reinaugurando o histórico Teatro. No decorrer de um ano os Parlapatões mostraram parte de seu repertório e também realizaram novas montagens. No TBC, iniciaram o Projeto Pantagruel, de adaptação para o palco da obra de François Rabelais, com estréia prevista o segundo semestre de 2001.
Dentro do Projeto Pantagruel, já estrearam, em 99, cinco espetáculos curtos que abordam a temática pesquisada: Mistérios Gulosos, de Mário Viana; Água Fora da Bacia, de Avelino Alves; Poemas Fesceninos e Os Mané, de Hugo Possolo e Um Chopes, Dois Pastel e Uma Porção de Bobagem, de Mário Viana.
Em Maio de 2001, estrearam a nova versão de Sardanapalo, de Hugo Possolo, agora com direção do autor, no TBC, realizando bem-sucedida temporada, obtendo grande destaque na mídia nacional.
O Projeto Pantagruel, vencedor do Prêmio Estímulo “Flávio Rangel”, fecha o ciclo de montagem do grupo em torno da Idade Média. Em Novembro de 2001, estrearam o espetáculo Pantagruel, texto de Hugo Possolo e Mário Viana, direção de Hugo Possolo, que cumpriu temporada no Teatro Sesc Anchieta, onde estreou e no Teatro João Caetano, em 2002.
Em agosto de 2002, lançaram, através da editora Estampa, em parceria com o SESC São Paulo, o livro Riso em Cena – os dez anos de estrada dos Parlapatões, do jornalista Valmir Santos. Com depoimentos de diversos artistas e intelectuais, além de um panorama fotográfico da trajetória de dez anos de atividades.
Em 2002, realizaram a turnê planejada de Sardanapalo, que se iniciou com uma temporada no Rio de Janeiro e percorreu por diversas capitais do país com patrocínio da Brasil Telecom.
No mesmo ano, realizaram em conjunto com os grupos Pia Fraus Teatro e La Mínima, o Circuito Pano de Roda, dentro do programa Petrobrás de Artes Cênicas, que levou espetáculos dos grupos a mais de vinte cidades das regiões Centro-oeste, Sul e Sudeste.
Em 2003 estrearam, no Festival de Curitiba, o espetáculo As Nuvens e/ou Um Deus Chamado Dinheiro, adaptação de Hugo Possolo de duas comédias de Aristófanes. Contemplados pela lei de Fomento ao Teatro da Secretaria Municipal de Cultura de São Paulo, passam a realizar neste ano uma série de atividades, incluindo, além de temporada popular deste novo espetáculo, apresentações de rua dos espetáculos Nada de Novo, Mix Parlapatões e U Fabuliô. Também dentro do mesmo projeto, realizaram o Caldo do Humor , série de debates sobre riso e sociedade, que contava com a participação de um pensador e um fazedor de humor.
Em 2004, o grupo realizou e coordenou performances para o Skol Beats no Sambódromo de São Paulo e também, a convite da Banda Sinfônica do Estado de São Paulo, participaram do espetáculo Os Reis do Riso, no Teatro Sérgio Cardoso. No segundo semestre do mesmo ano, estreou o espetáculo infantil O Bricabraque, um solo do ator Raul Barretto com direção e texto de Hugo Possolo. Próximo ao Natal, o grupo encenou o Auto dos Palhaços Baixos, no Centro Cultural Banco do Brasil – SP.
No ano de 2005, a convite do grupo Pia Fraus, os Parlapatões participaram da montagem do espetáculo Farsa Quixotesca que realizou uma turnê pela Espanha e Portugal durante o mês de julho. De volta ao Brasil, o grupo estreou o espetáculo Prego na Testa, um solo do ator Hugo Possolo, com texto de Eric Bogosian, direção e adaptação de Aimar Labaki. Este espetáculo foi indicado ao Prêmio Shell 2005 na categoria de melhor ator.
Em 2006 o grupo realizou a superprodução de rua Hércules, em parceria com a companhia Pia Fraus. O espetáculo estreou no Festival de Curitiba e realizou temporada em São Paulo percorrendo espaços públicos como o Vale do Anhangabaú, o Parque da Independência, o Clube da Cidade (região norte) e Campo da HACE (Comunidade Heliópolis).
Mantendo a parceria com a Pia Fruas, o grupo inaugurou sua lona, o Circo Roda Brasil montado no Memorial da América Latina. Com um elenco composto de circenses, músicos, palhaços e dançarinos de street-dance, estrearam o espetáculo Stapafúrdyo.
No dia 11 de setembro de 2006, iniciaram as atividades do Espaço Parlapatões localizado no centro de São Paulo. O espaço conta com uma sala de espetáculos de 96 lugares, além do Café Excêntrico, que também abriga um pequeno palco que permite a apresentação de pequenas montagens.
Em 2007 realizaram a intervenção O Pior de São Paulo, idéia do bufão italiano Leo Bassi, com roteiro de Hugo Possolo e Mário Viana, um passeio turístico satirizando a cidade e suas contradições.
Em 2008 produziram o espetáculo infantil Bolinha e Bolão, texto e direção de Hugo Possolo. No mesmo ano estrearam Vaca de Nariz Sutil, baseado na obra do romancista Campos de Carvalho. E o Circo Roda Brasil estréia Oceano, nova montagem circense que alia Parlapatões e Pia Fraus.
A estréia do espetáculo O Papa e a Bruxa, texto de Dario Fo, marca o ano de 2009. Nesta mesma época, é lançado o livro Palhaço-Bomba, uma compilação de artigos escrito por Hugo Possolo para Folha de S. Paulo, Estado de S. Paulo, Revista Bravo, Jornal O Sarrafo, Revista do Anjos do Picadeiro além de revistas de teatro e também da coluna Teatro Sujo, da era pré-blogs.
Hoje mantêm sua sede, com recursos próprios, para viabilizar o trabalho, tanto com espaço para ensaio, escritório de produção e armazenagem de cenários, quanto para realização de cursos, palestras, seminários e workshops. Seu objetivo é impulsionar a pesquisa artística e a realização de turnês nacionais e internacionais, com seu repertório.


