Espaço em Cena – Teatro Lá em Casa

Cá estamos novamente!
E o Teatro que visitamos dessa vez, conhecemos meio por acaso. Estava procurando espaço para o ensaio da nossa nova peça, o pessoal do grupo entrou em contato comigo através de um anúncio no site da Cooperativa Paulista de Teatro e e fui lá conhecer o espaço, a princípio apenas para ensaiarmos lá.

Quando cheguei ao sobrado na Rua Lopes de Oliveira 635, me pareceu uma casa comum, mas quando entrei para conhecer a sala… me senti em casa! No Teatro Lá em Casa. Fiquei encantada logo de cara e já imaginei a nova matéria do Espaço em Cena. E aqui está, o Teatro Lá em Casa pra vocês!

O Espaço foi inaugurado recentemente, em outrubo do ano passado e é administrado em sistema de cooperativa pelo Grupo de Teatro Meio. Tem um café, uma sala para workshops, e, o que é mais interessante, um pequeno teatro, com a platéia cheia de sofás! Sofás, aliás, são a marca registrada do espaço, remetendo à informalidade e ao aconchego de uma casa. E ainda oferecem um capuccino com sequilho, incluso no convite dos espetáculos.

O espaço foi adaptado por uma reforma, realizada pelos próprios integrantes do Grupo, que resultaram em um espaço multiuso no qual podem ser feitas apresentações de diversas linguagens.

Vale muito a pena dar uma passada no Teatro Lá em Casa!

Vamos à matéria! Até a próxima!

Teatro Lá em Casa

Endereço: Rua Lopes de Oliveira, 635 – São Paulo – SP

Email: teatrolaemcasa@gmail.com

Tel: (11) 7628-9995
http://teatrolaemcasa.wordpress.com

Em cartaz

O Gênio em concurso

- Sábados 21h00, domingos as 19h00

(a programação pode ser alterada sem prévio aviso pelo espaço)

Sobre o grupo

espaço la em casa 266x150 Espaço em Cena – Teatro Lá em CasaO GTM se formou em 2004, e desde então trabalha pautado pela preocupação em fazer um teatro acessível, para quem está acostumado e para quem não está acostumado a freqüentá-lo. Para isso, evita intelectualismos em excesso, soluções cênicas difíceis e a utilização de referências em suas montagens que exijam conhecimento prévio para serem apreendidas. Desde o início tem claro que isto não significa falta de refinamento estético ou superficialidade. Sua opção é pelo simples, não pelo simplório. A expressão “meio” que dá nome ao grupo vem justamente da proposta de trabalhar entre estes dois pólos não excludentes: o do teatro popular e o do teatro político. Apresentações regulares de suas montagens para platéias inabituais de teatro como as formadas por moradores de rua de albergues e moradores da periferia extrema da cidade atestam que este objetivo vem sendo alcançado, considerando a empatia que vem estabelecendo com estes públicos.

Em sua primeira montagem tematizou os próprios excluídos com a adaptação de Ralé, de Máximo Górki, em versão intitulada Ralé Ainda Pulsa, que cumpriu temporada no Teatro Sérgio Cardoso no início de 2005. Considerando ainda grande a distância entre o espetáculo e o espectador médio, partiu para a proposta radical de uma experiência sensorial com o mesmo espetáculo. Dispostos a inserir o público efetivamente na atmosfera de vida de um cortiço, transformou, não sem grande esforço de produção, as ruínas do Castelinho da Rua Apa, nos Campos Elíseos, em um cortiço típico da capital paulistana. Ao assistir o espetáculo, o espectador precisava atravessar este cortiço com a vida pulsando dentro dele, com cheiros, sons e imagens diversas. Além de presenciar a miséria real dos moradores de rua que se aglomeram em torno do próprio Castelinho, embaixo do Minhocão. Esta montagem obteve um grande sucesso de público conquistado especialmente pelo boca-a-boca e permaneceu em cartaz por alguns meses em 2006.

O objetivo seguinte foi direcionar a pesquisa para uma comunicação direta e aberta com o público para a linguagem. Procurávamos uma forma de fácil empatia não obstante viesse munida com uma dose palpável de conteúdo crítico. Desembocamos assim na comédia. O texto escolhido para essa segunda montagem foi Assim é, se lhe parece, de Luigi Pirandello, universal e profundo em sua temática sobre a relatividade da verdade, e que por ser constituído quase como uma brincadeira, permitia experimentações diversas. A adaptação encenada chamou-se Assim Parece e cumpriu temporada no Teatro dos Satyros em 2007. As maiores aquisições desta montagem foram a incorporação da figura épica do narrador em completa sintonia e cumplicidade com o público e o sistema de rodízio dos atores na interpretação das diversas personagens da peça, numa leitura particular do conhecido “sistema coringa” criado no Teatro de Arena de São Paulo nos anos 60.

A pesquisa no terreno da comédia estimulou o grupo que passou a procurar um texto que se aproximasse especificamente da realidade brasileira. Foi encontrar a base para uma nova adaptação em uma peça escrita em 1861 por Joaquim Manuel de Macedo, A Torre em Concurso. Atuando em duas frentes críticas ainda muito atuais – a falta de ética e coerência de nossa classe política, e a falta de auto-respeito nacional diante do que é estrangeiro – mais a possibilidade de ataque a uma terceira frente, a mania nacional de assistir novelas, o texto nos pareceu a base ideal para a continuação da nossa pesquisa. O aprofundamento de outras experiências caras ao grupo como a utilização da figura do narrador e o sistema de rodízio entre atores também foi possível com esta nova encenação. Assim, a adaptação se chama O Gênio em Concurso e tem estréia prevista ainda para o ano de 2008.
Finalmente, o GTM prevê para 2009 a continuidade da crítica aos costumes nacionais através da comédia em uma nova incursão no teatro brasileiro do século XIX, de onde partirá a inspiração para um espetáculo baseado nas revistas de ano, grande sucesso da época.

Certo ou errado, uma proposta artística muitas vezes ganha força e consistência quando se posiciona contrariamente a outras, numa tomada clara de posição. O GTM respeita a pluralidade, mas esteticamente se posiciona no campo oposto ao do espetáculo excessivamente acadêmico e cerebral, de difícil assimilação devido a cifradas opções estéticas e que acaba por se destinar, basicamente, a quem já faz ou está habituado â linguagem teatral. É o que chamamos de “teatro para iniciados”, que temos como premissa básica evitar.

De seu início, o GTM traz os atores Paulo Firs, Tatiana Mohr e Emerson Vieira, além do diretor Alexandre Brasil. Em 2006, uniu-se ao grupo Miguel Prata, na montagem de Ralé Ainda Pulsa no Castelinho da Rua Apa, depois Caio Paduan em Assim Parece, e finalmente Livia La Gatto em O Gênio em Concurso, completando a formação atual. Destes sete artistas, quatro estão ligados ao núcleo de artes cênicas da ECA/USP, uma formou-se no curso de Artes do Corpo da PUC, e outros dois são atores profissionais por tempo de trabalho. Outros dez atores passaram pelo grupo em participações nas montagens realizadas neste meio tempo.

Leia Tambem:

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  2. Espaço em Cena – Teatro de Arena Eugênio Kusnet
  3. Espaço em Cena – Espaço dos Fofos
  4. Espaço em Cena – Teatro Galharufa
  5. Espaço em Cena – Studio 184

Comentários

  1. Paulo Bassique disse:
    Estão todos de parabéns pelo trabalho árduo, da reforma e viabilização de um teatro sem precedentes, até as montagens teatrais. Duas ressalvas: o blog do teatro é http://teatrolaemcasa.wordpress.com e o email do mesmo é teatrolaemcasa@gmail.com

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