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Crítica do filme Avatar

São Paulo, 12 de fevereiro de 2010

avatar01 Crítica do filme AvatarO diretor americano James Cameron é conhecido por grandes produções, repletas de efeitos, com caríssimos orçamentos e que, ao serem lançadas, ganham as bilheterias. O responsável por O Exterminador do Futuro e Titanic (a maior bilheteria da história, sem atualizações de inflação) ficou 12 anos sem lançar nenhum novo filme. Nos últimos 4 anos, esteve envolvido no multimilionário projeto Avatar, que agora chega aos cinemas.

A aventura apresenta, no futuro, Jake, um veterano de guerra paraplégico, que, junto com outros terráqueos, é levado em uma missão à Pandora, um planeta habitado pelos Na’vi, uma raça humanóide de cultura totalmente desconhecida. O encontro com esses seres muda a vida deles para sempre.

Avatar é tudo aquilo que se espera de uma produção desse porte. Tudo é muito grandioso, grandiloquente, um épico moderno. O filme é repleto de poderosos efeitos especiais e grandes cenas de ação capazes de fisgar o público. Os efeitos visuais/digitais são os mais avançados possíveis. É impressionante a veracidade dos elementos criados digitalmente. E o mais interessante é que, ao contrário de outras superproduções, em Avatar, os efeitos não estão ali por si só, para chamar a atenção, divertir o público: eles existem por necessidades da trama e estão intrinsecamente ligados ao enredo. O filme é um primor visual, enche os olhos. A fotografia é extremamente elaborada, explora belíssimos tons de roxo, verde e azul e transforma-os em algo natural, próprio do mundo retratado.

O universo criado pelo filme é muito complexo e bem elaborado, digno dos maiores exemplares da ficção científica. O espectador fica encantado com toda a mitologia, as crenças, o modo de vida, a fauna e a flora de Pandora e dos Na’Vi.

O roteiro, em si, entretanto, além de ter algumas falhas, não nos apresenta nenhuma novidade. Você pode ficar muito impressionado em várias cenas do filme, mas a trama é muito esquemática, no fundo, só um upgrade em uma trama básica que já vimos várias vezes: a de um grupo que sente-se superior e ao entrar em contato com uma cultura e universo distintos e, aparentemente, inferiores, entra em conflito pela dominação. É aquilo que vimos desde os livros de História, com a chegada dos europeus na América e África a outros filmes recentes, como Outlander.

Entretanto, é interessante perceber como o roteiro enfeita essa trama para torna-la instigante. O protagonista é uma personagem muito interessante, um ex-fuzileiro, agora paraplégico, sem perspectiva na vida, que assume uma missão dificílima, que pertencia a seu irmão gêmeo, e acaba achando ali uma nova razão para viver, novos objetivos.

O roteiro também é imbuído de fortes críticas ao ser humano e sua capacidade destrutiva da natureza, sua ganância e sua ignorância em relação àquilo que não foi criado por ele, levando-a a não compreender muito daquilo que seria essencial para a vida. É uma crítica aos desmatamentos, à exploração dos recursos naturais que não mede esforço e provoca danos irreparáveis, às ações que estão provocando o caos ambiental da atualidade.

A direção de Cameron é primorosa. Comandar toda a grandiosidade que um projeto desse envolve pode ser uma armadilha para quase todos os diretores, mas Cameron dirige tudo com muita eficácia, desde as cenas de ação às mais dramáticas, cria brilhantemente tanto a tensão e o suspense quanto a identificação com os personagens, constrói e encadeia as cenas de forma a envolver o público com o filme, cria planos e cenas de imensa beleza e significado e, nas cenas finais, chega a tirar o fôlego do espectador.

Avatar é, sem dúvida, um dos grandes filmes do ano e já atingiu a maior bilheteria da história, em números absolutos, em apenas 39 dias! Vencedor dos globos de ouro de Filme/Drama e Direção, ainda foi indicado a melhor filme pelo sindicato dos produtores, direção pelo sind. dos diretores e roteiro original, pelos roteiristas. É o atual favorito ao Oscar.

>> Avatar

EUA, 2009. De James Cameron. Com Zoe Saldana, Sam Worthington, Sigourney Weaver. Drama/Ação/Aventura. 162min.

NOTA: 9

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