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Filme Divã

São Paulo, 29 de abril de 2009

Mercedes é uma mulher de 40 anos, casada e mãe de dois filhos que decide, mesmo sem saber bem o porquê, procurar um psicanalista. No divã, Mercedes questiona o seu casamento, a realização profissional e seu poder de sedução. E, assim, antes o que era apenas uma curiosidade, se transforma em uma experiência devastadora, que provoca uma série de mudanças em sua vida cotidiana.

O livro Divã, da jornalista Martha Medeiros, foi, primeiramente livremente adaptado para o teatro, contando com Lilia Cabral no papel principal. Agora, sob direção de José Alvarenga Jr., chega aos cinemas, contando com a mesma intérprete de Mercedes no teatro.

Divã, o filme, é a prova de que o cinema brasileiro pode ser comercial sem perder a qualidade, sem ter falta de conteúdo ou fraqueza dramática, como o sucesso de público Se Eu Fosse Você 2. O filme conta com personagens complexas e mais interessantes, situações mais realistas, diálogos bem trabalhados, boas atuações, direção mais segura e humor bem construído.

A história de Mercedes é uma análise sobre questões da vida da mulher de classe média na meia-idade. Tudo é tratado de forma delicada, sensível e não-superficial. Assim como no livro, há vários conceitos, análises e questionamentos de psicologia colocados de forma descontraída e de acordo com o momento dramático. As personagens e situações são construídas de forma humana e real, fugindo ao estereótipo ou, em certos casos, humanizando os estereótipos.

A direção de José Alvarenga Jr. (que dirigiu o filme d’Os Normais e episódios de programas da TV Globo) é segura, garante bom ritmo ao filme, coordena bem o elenco e confere planos e enquadramentos bem trabalhados e ligados aos momentos das personagens. Uma boa decisão é a de deixar o psicanalista sempre na sombra, nunca mostrar seu rosto ou dar-lhe alguma fala. Assim, as sessões de Mercedes transformam-se em sessões dela com o público, que a escuta, a compreende.

Lilia Cabral dá um show de interpretação e segura o filme todo. Ela mergulha em Mercedes, a compreende, cria traços de comportamento para essa mulher. Dentre os coadjuvantes, destaca-se Alexandra Ritcher, como a melhor amiga, rouba a cena com seu ótimo desempenho também.

O filme ainda possui um primor de fotografia, com grandes trabalhos de iluminação. Outro ponto brilhante, é a mistura de comédia e drama. O filme possui grandes sacadas humorísticas, mas a carga mais “séria” também é importantíssima e presente.

Assim, apesar de algumas falhas de roteiro, certos pontos esquemáticos e algumas piadas pouco inspiradas, Divã é um filme que vale a pena ser visto. Garante divertimento e também reflexão, seja você jovem, adulto ou idoso.

Brasil, 2009. De José Alvarenga Jr. Com Lília Cabral, José Mayer, Reinaldo Gianechini, Cauã Reymond e Alexandra Ritcher. 90min. COMÉDIA DRAMÁTICA

Cotação: ****

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