Fluxus 2010 – Cinema na Rede
Ver e exibir filmes de múltiplas formas. Esta é a proposta do Fluxus 2010. Investindo no potencial da rede para exibição de material audiovisual, foi criado, em 2000, o Festival Internacional de Cinema na Internet. Após 10 anos, o que antes era promissor tornou-se realidade. O festival hoje tem dez vezes mais participantes do que seu primeiro ano (em 2010 foram 1200 inscritos). Assistir filmes na web é cada vez mais popular, em tempos de sites como o You Tube e o Vimeo, que disponibilizam gratuitamente vídeos na internet.
Chegando a sua 7ª edição, o festival conta com mais de 40 vídeos experimentais de curta duração (até 20 minutos) provenientes de 14 países, sendo 14 filmes de animação, 15 de ficção, além de três documentários e sete obras experimentais. O material foi selecionado entre as mais de 1.200 inscrições vindas de 62 países. Entre os destaques desta edição, estão a animação Nuvens,Mãos, do premiado diretor italiano Simone Massi; a ficção alemã O pacote, de Marco Gadge e o francês A terra sob meus pés, com direção de Sophie Sherman, título esse que contribui para a experimentação estética que já se tornou uma das marcas do festival pioneiro.
Os brasileiros têm destaque na mostra competitiva, com onze títulos no páreo. O videoartista Carlosmagno Rodrigues exibe o seu curta Andrômeda – A Menina Que Fumava Sabão. O diretor, que já participou de seis edições da Fluxus, acredita no potencial do evento:
“O fato do festival de cinema ser pela internet atualiza os padrões artísticos, dando um passo a frente no que se refere a novas tecnologias, institucionalizando a recente produção cultural e artística”, diz o diretor, que complementa: “Além de contextualizar o que há de mais inovador, a curadoria do festival aproxima diversos diretores e trabalhos de diferentes países.”
Também ganham espaço novos diretores, como Bruno Jorge, com o documentário Barões e o mineiro Gabriel Martins com No Final do Mundo.
Segundo uma das curadoras, Daniella Azzi, o grande número de inscrições é reflexo das inovações tecnológicas ocorridas nesses 10 anos de existência do festival, que em sua primeira edição recebeu 198 inscrições:
“Hoje o processo de ver filmes na internet está consolidado. Com o avanço do Google, You Tube e com a evolução das mídias disponíveis, ficou mais fácil resolver a relutância inicial de alguns diretores, que tinham receio de expor seu trabalho na web”, diz a curadora: “Em dez anos, o cenário virtual mudou radicalmente, e para melhor. Antigamente era necessário baixar um programa para poder ver os filmes do festival, hoje, só precisa dar play e assistir.”
Os curtas selecionados foram avaliados sobre os critérios de experimentação, originalidade e inventividade, em títulos de 3 a 20 minutos. O público poderá escolher entre os filmes o seu favorito por votação no site do festival ou no Museu da Imagem e do Som de São Paulo, que exibirá não só os 40 filmes da competição, mas também uma retrospectiva com 14 obras que participaram de outras edições, de artistas como Seoungho Cho, Anney Bonney, Anouk de Clercq e Cao Guimarães.
De acordo com Gracie Santos, espectadora do festival, é fácil compreender o pioneirismo do Fluxus:
“O festival nasceu em um campo fértil, consolidou-se e cresceu na velocidade da rede. Ousado, teve suas primeiras edições quando ainda não havia You Tube, Orkut, Blog, etc. Não era comum assistir a obras de vídeo na internet. Afinal, os equipamentos estavam longe de ter a qualidade atual. Por essas e outras não é exagero dizer que o Fluxus fez a cabeça de muita gente. E se tornou espaço importante de exibição de uma produção quase sempre sem tela.”
Gracie, que já foi jurada da mostra, guarda boas lembranças: “Inesquecível a saborosa discussão (on-line) entre os jurados do Fluxus. O júri se reúne normalmente em chats, pois os integrantes estão em cidades, estados e países distantes.”
Interatividade cinematográfica
A participação do MIS-SP no festival é uma das novidades dessa edição. O espaço Galeria Fluxus, situado no museu, conta com 12 telas de exibição simultânea, permitindo o público transitar entre as telas e escolher entre os filmes que mais lhe agradam. Como a exposição acaba junto com o festival, dia 20 de junho, o espectador tem a possibilidade de ver e rever os filmes várias vezes, tanto no site como no museu, até definir o seu preferido.
“O fato do museu estar integrado ao Fluxus 2010 promove a junção de visões estéticas na mesma galeria, além de sociabilizar as produções artísticas”, diz o diretor Carlomagno, que enfatiza: “Assim você ocupa efetivamente os espaços, promovendo o diálogo entre as novas formas de arte, permitindo aos diretores serem também espectadores, assim como estimula o público a realizar seus próprios trabalhos.”
Gracie Santos complementa:
“Bom ter acompanhado o Fluxus desde pequeno, vê-lo ocupando cada vez mais espaço e agora ter se tornado real, com direito a mostra em espaço físico do Museu da Imagem e do Som (MIS), de São Paulo. O festival é ágil, moderno, tecnológico, mas também poético e sensível. E já provou que estará sempre à frente do nosso tempo.“
Ao dividir o conteúdo, antes só virtual, com Museu da Imagem e do Som, o Fluxus 2010 pretende estimular ainda mais as diferentes formas de se ver filmes, partindo do princípio que o cinema pode estar em todos os lugares. No site, além de escolher seu curta favorito, o internauta cadastrado pode montar uma seção com seus filmes favoritos, aumentando ainda mais a interatividade do festival.
Com apoio do Programa Petrobrás Cultural – PPC, o Fluxus 2010 vai até 20 de junho e é uma parceria da Zeta Filmes com o Museu da Imagem e do Som de São Paulo.
Fonte: http://www.cultura.rj.gov.br
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