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Indiferente

São Paulo, 26 de março de 2009

Disse-me que era o fim, e acreditei. Acreditei que não haveria mais passagens, nem mais vontades, nem mais querer. Acreditei que seria um sonho, uma brisa, um tempo só por ter. E hoje, as chuvas não vieram me lavar a alma, me lavar o corpo, me abrir à mente…

Suspirei como se não houvesse outra saída a não ser abaixar a cabeça e seguir. E mesmo sabendo que haveria outras saídas ao longo do tempo, abaixei minha cabeça e sai. Como se nada tivesse acontecido, mas ainda assim, eu fosse culpada de tudo.

Ergui meus braços ao céu, como se ele fosse mandar a chuva e me iludi que esta limparia meu corpo e minha alma, e imaginei que alguém tivesse o poder de controlar minhas angustias e retirá-las de mim. Mas me enganei, assim como me enganei quando pensei que amava, quando pensei que sentia, quando pensei que pensava.

Era apenas eu e o sol lá fora, um papel em minha frente, uma caneta falhando, meu cérebro fingindo pensar, e eu fingindo ser. Como se eu realmente pudesse ser, e como se todos realmente pudessem ser também. A diferença é que não há diferença. E de tudo, apenas a dor que cada um pensa que é intenso, e não sabe que ainda há muito mais o que sofrer e com muito mais intensidade.

A diferença é que as pessoas pensam que pensam, mas não pensam. Ou pensam! Talvez… Talvez apenas sejamos animalescos o suficiente para não sermos nada além de nós mesmos, e orgulharmo-nos com bobagens feitas, cometidas, publicadas. E assim, seguimos como se tudo fosse perfeito do jeito que é. E o nordeste talvez seja perfeito, por que alguém disse que o fosse. E esse alguém pensou nesse paraíso, antes de jogá-lo no Brasil?

Sinto, e sinto forte, essa angustia que me faz sentir pena…

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