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Lolita de Stanley Kubrick

São Paulo, 25 de janeiro de 2010

2vdmsfs Lolita de Stanley KubrickBaseado em livro de Vladimir Nabokov (que acabou ele próprio escrevendo o roteiro do filme), Lolita

apresenta-nos ao Prof. Humbert (James Mason), um erudito professor britânico, que se muda para os Estados Unidos, para lecionar em uma universidade, e se hospeda na casa de uma viúva que tem uma jovem filha adolescente. A mulher, Charlotte (Shelley Winters), logo se apaixona pelo prof. e tenta persuadi-lo, mas ele é imune a seus avanços pois está obcecado pela filha dela, a bela e atraente Lolita (Sue Lyon). Para poder ficar próximo desta, até casa com a mãe, que sofre uma fatalidade, abrindo caminho para que o prof. possa seduzir Lolita, levando a vida dos dois para rumos inesperados e turbulentos.

Como toda obra de Kubrick, Lolita surpreende pela impecabilidade. O perfeccionismo do cineasta levou novamente a um filme extremamente bem feio, que encanta pela ausência de erros. Embora tenha uma menor marca autoral de Kubrick do que em filmes como 2001 – Uma Odisséia no Espaço e Barry Lyndon, ainda sim pode-se ver em Lolita o afinco do diretor em obter planos perfeitos, muitas vezes simétricos, enquadrando cada elemento de forma significativa. Kubrick acerta no tom do filme, dramático mas ligeiramente dotado de uma comicidade ácida, e no ritmo, sendo também notória sua direção de atores, obtendo de cada membro do elenco as interpretações exatas.

lolita Lolita de Stanley KubrickNão há dúvidas de que um dos grandes trunfos do filme seja o elenco. James Mason entra na pele do professor obcecado pela ninfeta, dá profundidade ao personagem, convence o espectador de que na tela se vê o próprio personagem e não um ator. A estreante Sue Lyon, no papel da jovem Lolita, surpreende pela desenvoltura e pela compreensão de sua personagem, fazendo perfeitamente as várias nuances da protagonista. Shelley Winters está igualmente convincente e realista como a mãe viúva e Peter Sellers rouba a cena toda vez que aparece, transformando cada fala em um deleite e cada ação em algo a ser adimirado.

O roteiro do filme é muito consiste tanto tematicamente quanto dramaticamente. Dotado de personagens complexas, o roteiro desenvolve cada uma delas, transformando-as em pessoas reais e interessantes, com seus dramas, questionamentos, franquezas. Mas não é apenas no que concerne às personagens, que o roteiro se destaca. É igualmente inteligente a forma como a trama se desenvolve, como o suspense é usado, como uma cena leva a outra. A temática, abordando a obsessão, a sexualidade prematura, o relacionamento entre pessoas com grande diferença de idade, a possessividade e o amadurecimento, enriquece o filme. Também é genial a mistura entre drama e comédia de costumes, através de uma comicidade ácida e crítica.

>> LOLITA

Reino Unido/EUA, 1962. De Stanley Kubrick. Com James Mason, Shelley Winters, Sue Lyon, Peter Sellers. 153min. Drama/Comédia.

NOTA: 9

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