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Na boca do estomago

dor Na boca do estomagoO que escrevemos quando levamos uma pancada bem no meio do estomago?

Esse pequeno intervalo entre a dor, o grito e a inércia do corpo projetado ao chão, fico me perguntando será que todo poeta sente dor, e o que diz por trás de frases tenras e densas como nuvens carregadas que assustam e renovam a vida em terras tão inférteis de solo árido e úmido de dor……

Talvez não diz nada, apenas tenta preencher o vazio com palavras que rimam hortelã com pedra sabão. Mas como preencher um vazio com palavras, se o vazio é a ausência de tudo, de verbo, de estrofes, risos, ardor e sentimentos…..

E que o vazio seja vazio até nos momentos mais impróprios e puros de felicidade alheia e sorrisos contagiantes mas que não nos atingem. E que esse vazio seja tão puro e inocente de desejo por si; por nascer; por ser, que toda sua complexidade se glorifique, e transforme-nos, nós pobre poetas de razão esmagada por socos de emoções perplexas, em simples e irrelevantes seres não entendidos pela própria mesquinhez de outrem.

De tudo, esse vazio como um gigante paradoxo, que me completa nesse instante. Afinal, das dores que não sinto, das emoções que não tenho e das sensações que não me atingem, só me resta mesmo esse enorme e profundo vácuo que se apossou de meu peito.

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Leia Tambem:

  1. Clarice Lispector
  2. Ser!
  3. Tudo ao seu respectivo tempo da inútil solidão
  4. O Último ou o primeiro de nossas vidas
  5. Rotina de ser

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Escrito por: Davi Sant´anna em 27/08/2009

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