Não mais ser
São Paulo, 22 de dezembro de 2008
São Paulo, 22 de dezembro de 2008
Opaco! Sem luzes, apenas as sombras conduzem o caminho de sordidez. Sinto que, enfim, desaprendi a mágica do amar. E como punição severa, meu vácuo interno tornou-se a essência do meu ser, que às vezes, simplesmente não é!
As flores já não têm a cor da esperança, a cor do perdão que está por vir. As flores, hoje, têm a cor do tempo, da mágoa, da chuva que não molhou. Quantas flores hão de se finalizar, esperando a cura da canseira vinda da monotonia de fingir ser.
Descanse em paz, minha euforia cansada, que o tempo já foi seu; que a cura já lhe foi útil; e que a verdade nunca a impediu de ser euforicamente viva. Descanse em paz, minha alma velha que se destina ao destino das coincidências. Que o mundo já foi seu, e hoje já não existe nem você e nem o mundo.
De onde vêm tantas lágrimas, se são tão poucos os olhos que se põem a chorar? Não são minhas as lamentações expostas pelas feridas internas que não se curam. São lamentações da minha alma, por não ter mais um ser que por aqui comanda, que por aqui vive, que por aqui reage.
Não temos mais tempo para dizer que o tempo foi em vão. Não temos mais palavras pra dizer que palavras nem sempre é a melhor solução. Hoje me calo diante da dor que me cerca, consome, e me mata aos poucos. Calo-me diante da fúria acumulada de todo o tempo preso nas garras da monótona função de ser. E que hoje não mais é.
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