O Escritor Fantasma

Roman Polanski é um dos grandes mestres do cinema pós-guerra, tendo atuado tanto em seu país natal, a Polônia, como na França e nos EUA. Destacou-se na direção de diversos tipos de filmes, sejam eles dramas intimistas e psicologicos ou filmes de gênero, como seu Chinatown, um brilhante neonoir, e O Bebê de Rosemary, um ícone do suspense. O cineasta é sempre muito competente na condução da trama, cliando o clima exato necessário, provocando o envolvimento com o filme e, ainda, compondo o filme com uma grande qualidade técnica e opções inteligentes de como filmar cada cena. Por outro lado, Polasnki sempre teve uma vida pessoal turbulenta. Seus pais, judeus, morreram vítimas do nazismo, sua esposa Sharon Tate, nos anos 1970, foi morta, grávida, em casa, pela gangue de seguidores de Charles Manson e Polanski foi condenado, nos EUA, por estupro a uma garota de 13 anos, tendo, desde então, não mais pisado nos EUA, para evitar sua prisão. Entretanto, nos últimos meses, Polanski foi detido na Suíça, que compartilha um sistema de leis internacionais com os EUA, e teve de finalizar seu mais recente filme, O Escritor Fantasma, da prisão domicilar em que está.

O titulo do filme não se refere a um fantasma escritor, como muitos desavisados podem pensar, mas a um ghost writer, alguém com talento literário que escreve livros a partir de idéias de alguém que não sabe como desenvolvê-las, geralmente famosos, a pedido destes e os entrega para que sejam lançados sem nenhuma referência a seu nome. Eles trabalham escrevendo para que depois livros sejam lançados em nome de outros, aqueles que os contrataram.

Neste filme, quando um escritor fantasma britânico de sucesso, vivido por Ewan McGregor, concorda em completar as memórias do ex-primeiro-ministro britânico Adam Lang, seu agente lhe assegura que é a oportunidade de uma vida. Mas o projeto parece condenado desde o início – até porque o seu antecessor no trabalho morreu em um infeliz acidente. Em um mundo em que nada e ninguém é o que parece ser, o escritor fantasma logo descobre que o passado pode ser fatal e que a história é decidida por quem permanece vivo para escrevê-la.

Trata-se de um thriller de suspense e conspiração clássico, conduzido com maestria por Polanski. Sua capacidade de criar um clima de tensão permanente está presente aqui e prende o espectador, ajuda quem assiste a se envolver cada vez mais com o filme. O clima e a ambientação criados por Polanski, com tudo muito azul, preto e cinza, o céu sempre nublado, tudo muito cru, constrói a atmosfera de suspense e mistério em que os personagens estão mergulhados. O filme conta também com a inteligência do diretor na construção de determinadas cenas e certos planos, como o que em um bilhete é passado mão a mão e o plano final, em que a relação “fora do quadro – dentro do quadro” é muito bem explorada e vemos e sentimos mesmo aquilo que não vemos realmente, tendo um impacto muito maior.

O Escritor Fantasma

(Ghost Writer, The, 2010)
• Direção: Roman Polanski
• Roteiro: Roman Polanski (roteiro), Robert Harris (I) (romance e adaptação)
• Gênero: Drama/Suspense
• Origem: Alemanha/França/Reino Unido
• Duração: 128 minutos
• Tipo: Longa-metragem
Nota: 8,5

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