Quadrilha para o dia dos namorados.

Maria amava Joaquim que amava Lili que não amava ninguém.

Maria e Joaquim namoravam há um ano e mesmo sentindo que não tinha o amor de Joaquim, Maria não aceitava o fato e sucumbia aos desmandos do namorado, que justamente por não amá-la, não a tratava tão bem quanto ela esperava e não sentia tanto prazer em estar com ela, a não ser nos raros momentos de sexo.

Lili era muito alegre, saia toda noite com sua amiga Teresa e sempre era muito desejada nos bares e boates que freqüentava. Ela, que há muito tempo tinha decidido ir contra todas as convenções, se recusava a namorar ou ficar mais que algumas poucas vezes com a mesma pessoa. Queria ser totalmente livre e só fazia suas próprias vontades. Teresa também era livre, mas um pouco mais romântica que Lili.

Um dia Joaquim conheceu Lili, no mesmo dia que Teresa conheceu João, que era irmão de Raimundo. Encontraram-se ao acaso como quase tudo de bom que acontece na vida. Beijaram-se, apaixonaram-se e começaram a namorar. Joaquim começou a terminar seu namoro com Maria. Um processo que levou quase um mês.

Maria ficou deprimida, depois nervosa, depois brava, depois muito brava. Depois começou ligar para o ex-namorado, hora chorando, hora xingando. Depois ficou triste, depois chateada e depois esqueceu.

Joaquim e Lili ficaram dois anos juntos, depois a rotina começou deixar Lili chateada, depois triste, depois deprimida. Joaquim amava Lili, mas não do jeito que ela queria que ele a amasse. Ele se dedicava muito além do que ela estava acostumada e de que podia se dedicar, até que ela decidiu terminar esse namoro.

Joaquim ficou triste, depois chateado, depois deprimido, depois esqueceu.

Hoje, Maria está casada com J. Pinto Fernandes, um empresário respeitado do ramo de lojas de um real.

Lili namorou outros moços, sempre se lembra de Joaquim com carinho e uma pequena dose de tristeza, e Joaquim agora está namorando muito, mas nunca com compromisso verdadeiro. Está esperando algo novo e revolucionário na sua vida. O amor que ele chama de eterno.

Teresa e João estão juntos até hoje, casaram-se, mudaram-se para os Estados Unidos e tem dois filhos lindos. Amam-se e vivem exclusivamente para o trabalho e a família. Acreditam que com essa cumplicidade conseguirão vencer os desafios que surgem a cada dia neste vasto mundo.

O amor é engraçado, as vezes estranho, as vezes contraditório mas é sempre amor. Todo amor, por menor que seja deve ser respeitado e valorizado. Algum poeta diz que qualquer amor já é um alento nessa vida cheia de mesquinharia, cheia de horror e violência,  que muitas vezes vai esvaziando nossos corações tão sedentos de emoção.

E o que aconteceu com o Raimundo?

Nesse vasto mundo se me chamasse Raimundo, seria uma rima não uma solução, mundo, vasto mundo, mais vasto devem ser nossos corações.

Será que será necessário se criar um manual, ou uma disciplina na escola para nos ensinar amar ou o melhor é aprender no dia a dia, com as tentativas e com os erros, com as experiências acumuladas ao longo da vida? Será que um dia aprenderemos de verdade ou a cada amor vivido, novas demandas vão sendo criadas? Viver é correr risco e se amar é viver, amar é enfrentar o risco de sofrer, de doer e fazer doer; é lutar para que sua individualidade ajude a outra individualidade a ser cada vez melhor.

Feliz dia dos namorados a todos que tenham ou não um grande amor.

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