Crítica do filme – As Melhores Coisas do Mundo
maio 4, 2010 by Elton Almeida
Filed under Cinema & Vídeo
Por Elton Almeida
Baseado em uma série de livros escrita por Gilberto Dimenstein e Heloísa Prieto, As Melhores Coisas do Mundo retrata uma parcela da sociedade praticamente esquecida pelo cinema nacional: os adolescentes. O filme acompanha Mano, de 15 anos, e seu irmão Pedro, de 17, que vêm passando por tempos difíceis devido à separação dos pais e problemas de convivência escolar. Vemos típicas situações que todos já vimos no colégio, na família, com os amigos. Anseios, dificuldades, sentimentos, amores, descobertas. A primeira vez, a prática do buylling e o sofrimento por ser vítima deste, o amor não correspondido, a relação aluno-professor, as festas, os
envolvimentos amorosos. Enfim, é um filme que fala de forma extremamente satisfatória a um público jovem padrão e que irá emocioná-lo. A diretora Laís Bodanzky, de Bicho de Sete Cabeças e Chega de Saudade, é muito competente e conduz tudo com maestria. O filme mantém um tom e ritmo homogêneo e agradável e consegue fisgar seu público alvo.
Entretanto, criticamente, o que destrói o filme é o moralismo chato e piegas, as obviedades já perceptíveis nos primeiros minutos, o sentimentalismo barato e dispensável, músicas tristes de violão que trazem redenção às personagens e outros artífices que empobrecem o filme e o deixam mais enlatado do que ele pretendia ser. No final, fica a impressão de plastificação adolescente tentando soar como verdadeira e emocionante. Mas é inegável a qualidade técnica do filme e a identificação que o mesmo provoca.
Ficha técnica
Filme: As Melhores Coisas do Mundo
Brasil, 2010. De Laís Bodanzky.
Elenco: Francisco Miguez, Fiuk, Gabriela Rocha, Zé Carlos Machado, Denise Fraga, Paulo Vilhena, Caio Blat, Gustavo Machado, Gabriel Illanes.
DRAMA
Nota 6,5
Festival SESC dos Melhores Filmes 2010
março 29, 2010 by Elaine Gomes
Filed under Cultura
Uma seleção dos melhores filmes, diretores, atores, atrizes, roteiristas e fotógrafos eleitos pelo público, e por críticos, jornalistas especializados, pesquisadores e professores brasileiros.
O Festival SESC dos Melhores Filmes 2010 traz esse ano TODA A PROGRAMAÇÃO com acessibilidade – Audiodescrição e Legendas nos 36 filmes selecionados por votação, que serão apresentados em 88 exibições no período de 8 a 29 de abril no CineSESC da Rua Augusta, 2075.
A Iguale Comunicação de Acessibilidade é responsável pela produção da acessibilidade no Festival, que terá entre os filmes:
- AVATAR
- BASTARDOS INGLÓRIOS
- A FESTA DA MENINA MORTA
- LUA NOVA
- A ERA DO GELO 3
- UP
- SIMONAL – NINGUÉM SABE O DURO QUE DEI
- VALSA COM BASHIR
- SE NADA MAIS DER CERTO
- É PROIBIDO FUMAR
- ZICO
- MILK
- DIVÃ e muitos outros.
TODOS COM AUDIODESCRIÇÃO E LEGENDAS EM 4 SESSÕES DIÁRIAS:
14 HORAS / 17 HORAS / 19 HORAS E 21HORAS E 30 MINUTOS
SERVIÇO:
valores dos ingressos:
R$4,00
R$2,00(estudantes, idosos)
R$1,00(comerciário)
Pacote 15 filmes R$40,00 / R$20,00(estudantes, idosos) e R$10,00(comerciário).
Para grupos interessados o CineSESC pode disponibilizar sessões com pacotes especiais.
Mais informações pelo fone (11) 3087-0500 ou pelo email:email@cinesesc.sescsp.org.br
Guerra ao Terror é o grande vencedor do Oscar 2010
O filme Guerra ao Terror foi o grande vencedor do Oscar 2010, desbancando o badalado Avatar de seu ex-marido, James Cameron, considerado um dos favoritos, ficou apenas com prêmios técnicos. E “Bastardos Inglórios”, de Quentin Tarantino, outro favorito, com apenas uma estatueta, de melhor ator coadjuvante, para o brilhante Christoph Waltz
Guerra ao Terror levou seis estatuetas, dentre elas a de melhor direção para Kathryn Bigelow 9 primeira mulher a receber um oscar de melhor direção) e melhor filme
Veja a relação dos premiados com o Oscar 2010
Ator coadjuvante: Christoph Waltz (“Bastardos Inglórios”)
Longa de animação: “Up – Altas Aventuras”
Canção original: “The Weary Kind” (“Coração Louco”)
Roteiro original: Mark Boal (“Guerra ao Terror”)
Curta-metragem de animação: “Logorama”
Documentário de curta-metragem: “Music by Prudence”
Curta-metragem: “The New Tenants”
Maquiagem: “Star Trek”
Roteiro adaptado: Geoffrey Fletcher (“Preciosa”)
Atriz coadjuvante: Mo’nique (“Preciosa”)
Direção de arte: “Avatar”
Figurino: “Young Victoria”
Edição de som: “Guerra ao Terror”
Som: “Guerra ao Terror”
Fotografia: Mauro Fiore (“Avatar”)
Trilha sonora: Michael Giacchino (“Up – Altas Aventuras”)
Efeitos especiais: “Avatar”
Documentário: “The Cove”
Montagem: “Guerra ao Terror”
Filme estrangeiro: “O Segredo de Seus Olhos” (Argentina)
Ator: Jeff Bridges (“Coração Louco”)
Atriz: Sandra Bullock (“Um Sonho Possível”)
Direção: Kathryn Bigelow (“Guerra ao Terror”)
Filme: “Guerra ao Terror”
Lolita de Stanley Kubrick
janeiro 25, 2010 by Elton Almeida
Filed under Cultura, Nostalgia
Baseado em livro de Vladimir Nabokov (que acabou ele próprio escrevendo o roteiro do filme), Lolita
apresenta-nos ao Prof. Humbert (James Mason), um erudito professor britânico, que se muda para os Estados Unidos, para lecionar em uma universidade, e se hospeda na casa de uma viúva que tem uma jovem filha adolescente. A mulher, Charlotte (Shelley Winters), logo se apaixona pelo prof. e tenta persuadi-lo, mas ele é imune a seus avanços pois está obcecado pela filha dela, a bela e atraente Lolita (Sue Lyon). Para poder ficar próximo desta, até casa com a mãe, que sofre uma fatalidade, abrindo caminho para que o prof. possa seduzir Lolita, levando a vida dos dois para rumos inesperados e turbulentos.
Como toda obra de Kubrick, Lolita surpreende pela impecabilidade. O perfeccionismo do cineasta levou novamente a um filme extremamente bem feio, que encanta pela ausência de erros. Embora tenha uma menor marca autoral de Kubrick do que em filmes como 2001 – Uma Odisséia no Espaço e Barry Lyndon, ainda sim pode-se ver em Lolita o afinco do diretor em obter planos perfeitos, muitas vezes simétricos, enquadrando cada elemento de forma significativa. Kubrick acerta no tom do filme, dramático mas ligeiramente dotado de uma comicidade ácida, e no ritmo, sendo também notória sua direção de atores, obtendo de cada membro do elenco as interpretações exatas.
Não há dúvidas de que um dos grandes trunfos do filme seja o elenco. James Mason entra na pele do professor obcecado pela ninfeta, dá profundidade ao personagem, convence o espectador de que na tela se vê o próprio personagem e não um ator. A estreante Sue Lyon, no papel da jovem Lolita, surpreende pela desenvoltura e pela compreensão de sua personagem, fazendo perfeitamente as várias nuances da protagonista. Shelley Winters está igualmente convincente e realista como a mãe viúva e Peter Sellers rouba a cena toda vez que aparece, transformando cada fala em um deleite e cada ação em algo a ser adimirado.
O roteiro do filme é muito consiste tanto tematicamente quanto dramaticamente. Dotado de personagens complexas, o roteiro desenvolve cada uma delas, transformando-as em pessoas reais e interessantes, com seus dramas, questionamentos, franquezas. Mas não é apenas no que concerne às personagens, que o roteiro se destaca. É igualmente inteligente a forma como a trama se desenvolve, como o suspense é usado, como uma cena leva a outra. A temática, abordando a obsessão, a sexualidade prematura, o relacionamento entre pessoas com grande diferença de idade, a possessividade e o amadurecimento, enriquece o filme. Também é genial a mistura entre drama e comédia de costumes, através de uma comicidade ácida e crítica.
>> LOLITA
Reino Unido/EUA, 1962. De Stanley Kubrick. Com James Mason, Shelley Winters, Sue Lyon, Peter Sellers. 153min. Drama/Comédia.
NOTA: 9

