Vícios
Sim, senhor! Respondi àquele homem sério, que perguntara se eu havia vícios. Baixei meus olhos, e continuei dizendo: Sou viciada na essência da vida, e nas pequenas coisas que meus olhos não vêem, mas que meu coração ouve ritmicamente junto com o seu pulsar. Pois bem, meu caro senhor, sou viciada na pessoa que amo, de um amor puro e simplesmente; e incansável e insaciável aquele sorriso que me toma, me invade e me faz querer sentir.
O homem me olhou com um riso maléfico que não pode conter, e eu que sabia que a pergunta dele era por vícios que prejudicavam a vida, continuei dizendo: Mas, se o senhor acha que esses vícios são banais, imagine o senhor, o meu vício de sentir dó. Esse sim é fatal. Destrói a minha e a alma daquele por quem eu sinto o dó.
Mas o homem, dessa vez, não conteve nem o riso maléfico, logo gargalhou face a face, soltando em mim aquela fumaça de cigarro, menosprezando os meus sentimentos, o meu ser. Eu então, levantei-me, peguei o cigarro da mão dele, traguei e disse: Nem a nicotina desse cigarro, nem a maconha que fumava ainda há pouco me matará tanto quanto o ódio que eu sinto em olhar pra sua cara.
Peguei minha bolsa que estava na cadeira ao lado, olhei-o de cima até onde eu podia vê-lo, pois ambos estávamos sentados até então, joguei o cigarro no chão, apaguei com a ponta do meu pé, e sai.
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Escrito por: Camila Meloni em 17/03/2009
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